Lembro-me que antes de aprender a ler já tinha admiração e
cuidado com os livros, sempre folheava as paginas procurando imagens que
pudessem me contar algo sobre o quê, aquelas tantas folhas falavam. Filha de
pais semianalfabetos na época, vim aprender a ler somente quando ingressei na
escola (isso na 1ª série) minha querida professora Leida foi quem me
alfabetizou em apenas um mês. A partir de então comecei com os contos de fada e
as tão adoradas fábulas de La Fontaine. Era também uma grande colecionadora da
série Vagalume até um querido professor, já na 8ª série (Eraldo) me dizer você
já é bem grandinha que tal ler livros de verdade? (brincou comigo) e me
entregou Olhai os lírios do campo de Érico Veríssimo e me deu uma semana para
contar o que achei do livro. Aquilo me assustou no começo, mas a partir desse
dia toda semana ele me emprestava um novo livro (assim como a outros alunos) e
às vezes nos convidava para um sarau em seu sítio onde podíamos socializar as
histórias que líamos. Hoje, ainda conservo o gosto pela leitura e me orgulho em
ser uma grande “doadora” de livros da biblioteca da escola, pois percebi que
comprá-los e deixá-los em casa não me realizava, e que ao ver as crianças lendo
esses livros pelos corredores ou no ônibus no trajeto da escola me satisfazia
como se os lesse novamente.
Acredito que a leitura traz também o desejo da escrita e observo isso em muitos dos alunos leitores. O desejo de também estar imortalizando uma história ou poesia.
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